Era fino o fio que o prendia.
Perigosamente fino. Incomodamente frágil.
Agarrava-se a ele como se disso
dependesse a sua vida. Como se o simples ato de pensar em romper aquela ligação definisse toda a sua existência como sendo um contínuo embate entre a fragilidade do fio e a resiliência de sua já muito abalada coragem. Mas as coisas, na verdade, não eram bem assim. Nada estava condicionado àquele fio, àquele amparo, ou àquele instante.
Sabia dos riscos que envolviam e destino que escolhera. Sabia bem, e colocava-se ali, pendurado naquela linha,
dia após dia, por puro prazer: porque gostava de sentir-se pêndulo, de
balançar-se ao sabor do acaso.
Dia desses, cansado de pender, de pesar,
cortou o fio e deixou-se cair. Abandonou-se da rede de proteção e, imaginando
ser ela a sua rede na varanda, fechou os olhos, relaxou, dormiu.
O comentário é pra você ver que eu li e gostei! ;D auhsuahsuas ;*
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