
O caso é que algumas pessoas têm o imenso defeito de não aceitar os fatos da vida, e, dessa forma, ignoram as condições excludentes que envolvem viver e estudar. A regra é: ou bem se vive, ou bem (ou mal) se estuda, uma hora ou outra uma coisa vai, fatalmente, impedir a outra, e, no meu caso, os estudos andaram vencendo a guerra.
Bem, depois da sessão de explicações que não convencem e que soam melhor quando chamadas de “desculpas esfarrapadas para preguiça extrema”, vamos ao que interessa.
A meu ver, o inacabado não é algo essencialmente ruim. É mais como se fosse um estado transitório, e necessário a todas as coisas, mas que se faz necessário como permanente a algumas delas... ficou claro o que eu quis dizer?! Bem, algumas coisas precisam não ter fim, é isso!
Eu deixo várias coisas sem conclusão: livros, filmes (estes, principalmente), textos, sorvetes, pipoca, café com leite... enfim, não pôr fim às coisas – e esquecer algumas delas – é a minha cara mesmo! Mas isso não significa que elas não são boas ou que eu não me interesso por elas, só que o tempo delas passou e então... ah, fica pra depois, né?!
Pior do que deixar sem conclusão mesmo, é concluir de qualquer jeito e sem interesse. Sou a favor de parar um livro e começar outro, deixar o filme pra amanha, o sorvete no pote e jogar fora o último gole de café com leite frio; e também faço o primeiro traço pra outra pessoa mais talentosa concluir (é mais seguro!).
Sem mais filosofias de fundo de gaveta, eu me despeço citando Faustão (desculpem por isso): “Obrigada pela sua audiência e sua paciência!”
Ah!, quase esqueci (estão vendo aí!?) de dizer que “inacabar” também pode ser um ótimo exercício para a memória. Um exemplo é este texto, que demorou tanto pra sair que deve ter fugido da memória de quem o sugeriu... Tá aí, Heldinho! Obrigada pela sugestão, pela paciência e pela parceria sempre!
Que inacabados sejamos nós. Porque quando todo mundo estiver pronto, o MUNDO não vai ter mais graça.
ResponderExcluirTá bom o texto, Pequena. Não haveria de ser diferente, afinal.
Tem toda razão, Pea. Essa é a verdade dos fatos: tem coisas que não merecem ser terminadas nem mesmo deveriam começar se a gente pudesse prever.
ResponderExcluirBom texto, especialmente na parte que você exemplifica o que deve ser deixado.
Será que aceito seu desafio ou deixo inacabado ilustrar melhor ainda seu texto?
;*
me pergunto todos os dias se há algo finito na existência humana (na minha, em especial, rs).
ResponderExcluiro conhecimento da existência da infinitude das coisas é um conhecimento inesgotável também, porque o homem, antes de tudo, prefere medir o que tem para poder compreender o objeto em questão (e isso é um dilema existencial irremediável, porque é o combustível do auto-conhecimento, daí a explicação de ser inesgotável).
a incompletude é inimiga direta da "infinitude", porque um ser incompleto nunca estará fechado enquanto não segurar um fim.
que cada vez mais sejamos mais completos em nós (devemos todos os dias pensar bem no que devemos nos completar, já dizia Santo Agostinho), para que ajudemos o outro a ser completo em si (para que este não procure o fim das coisas, mas inicie bem várias); e que quando surgir uma oportunidade de fazê-lo, que não o façamos por incompleto, retirando as vendas alheias quando este já não puder enxergar (por nossos olhos).
texto incrível!
beijo
Assim é a vida, a nossa vida. Que começa quando acabamos de nascer, e termina quando estamos começando a viver.
ResponderExcluirBem Interessante Teu Texto.
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Texto bom Pagodeira.
ResponderExcluirComo todos os seus, na verdade ...
Descordando (o que já era de se imaginar) dos meus caros amigos Pedro, Hélder e Alice, vejo que não deixar que o inacabado haja é uma forma de demonstrar que aquilo foi importante. Exemplo? Terminar os traços no papel que um amigo deixou. Terminar o café que, quando quente, nos fez tão bem e que agora frio não nos satisfaz tanto. Vejo o acabar como uma dívida com aquilo/ele... um quadro inacabado não é tão belo! Podemos deixar para depois, mas não para nunca mais!
ResponderExcluirAcho que isso é papo de quem sofre de "Eustaquísmo", né?
Mesmo sofrendo do mau que assola minha vida (UAUSHAUSHUAHSUA) eu adorei o texto, Preta! Que bom que voltou! Como diria um brother... hoje eu vim pra polemizar!
Beijão!